O Corpo, as emoções e as redes sociais.

Tudo que está a nossa volta nos afeta. Pessoas, códigos sociais, meio ambiente, meios de comunicação, política, economia e tudo com o que nos relacionamos se desdobram em reflexos racionais, emocionais e corporais ao mesmo tempo.
As emoções e o corpo estão intimamente ligados, mais do que isso, são inseparáveis. O corpo sente e expressa nossas emoções e sentimentos de forma variada.
Usamos a razão para expressar pela fala o que sentimos mas a nossa fala consciente sofre as influências do meio, da cultura e da sociedade e isso interfere na exata expressão de nossos sentimentos. Tentamos, pela razão, adequar nossa fala à todas estas exigências comuns para conquistarmos a compreensão e a aprovação do que dizemos. Na maioria das vezes funciona muito bem, parte do que sentimos pode ficar escondido nas entrelinhas, recursos e floreios de nossa linguagem tão rica e tão adaptada, mas, as vezes, escorregamos distraídos e cometemos um ‘ato falho’, termo usado na psicanálise para nossos deslizes incoscientes e reveladores.
O corpo tem outros mecanismos que refletem, sem o controle da razão, nossas emoções. Expressões faciais, entonações, gestos, posturas e movimentos revelam com mais fidelidade nossos sentimentos e estado momentâneo do que o relato consciente elaborado pela razão e expresso na fala.
Mais do que expressar, nosso corpo lida com a sucessão de sentimentos e o modo com que é tomada uma ação em resposta a este sentimento. Quando agimos em coerência ao que sentimos temos uma integração entre estímulo, impulso e realização. Quando agimos de forma contraditória ao que sentimos, geramos uma dissociação neste sistema. Um exemplo simples pode ajudar. Um rapaz sente uma incrível atração por uma moça, pensa como dizer isto a ela e assim que a vê declara sua paixão. Perfeito! tudo integrado. No entanto, se nosso amigo apaixonado, assim que vê a moça, pergunta se vai chover… temos uma dissociação entre sentimento e ação.
Um estado constante de dissociação traz desequilíbrios para o corpo em niveis diferentes. Desde os músculos até os orgãos, desde um comportamento pontual até a adoção de um estilo rígido de vida e de se posicionar no mundo. Doenças orgânicas e emocionais se instalam na repetição das dissociações. Estresse, gastrite, tensões crônicas, ansiedade, depressão, baixas imunológicas, doenças auto imunes (imunizar-se de sí), inflamações, calcificações entre todas as outras formas de desequilibrio, estão diretamente ligadas a nossa limitação entre sentir e agir em coerência com o que sentimos. Regras, exigências e nescessidades sociais são as maiores influências destas dissociações.
A sociedade é indispensável a vida humana, somos animais gregários, isto é, sobrevivemos em grupo. Ela exige adaptação entre os interesses individuais e o bem estar coletivo para que se torne possível a vida em comum.
A complexidade das relações sociais, sua evolução e desenvolvimento trouxe para o ser humano um sem fim de regras, expectativas e papeis a serem preenchidos e cumpridos. Nos esmeramos no desempenho de cumprir nosso papel, até quando não nos faz nenhum sentido, na esperança de atendermos um chamado interior e primário de ser aceito e pertencer à um grupo.
A medida que estas exigências se sofisticam e garantem prevalência de um determinado grupo sobre outro, sofremos da frustração de não conseguirmos pertencer na totalidade do grupo, por não cumprir o que nos é apresentado como requisitos e valores exigidos para transitar entre todas as camadas que compõe o grupo. Ou seja, sem um titulo de sócio proprietário você não poderá tomar banho de piscina no Country Club.
A força destes requisitos é enorme e incentiva a competição ferrenha entre os integrantes do grupo para preenche-los a qualquer custo e por fim pertencer.
O grupo que prevalece no poder das regras (Estado, economia, religiões e ideologias) cria e superestima seus valores. Os meios de comunicação, controlados pelo grupo prevalente, disseminam estes valores por meio de linguagem técnica e altamente qualificada de maneira a levar ao senso comum de que estes valores são únicos, desejados e é normal que sejam buscados por cada um do grupo. Se houver falha no êxito da busca, a falha é do indivíduo.
Ser normal para ser igual. Ser igual para pertencer ao grupo.
Terrivelmente contraditório é ouvir a todo momento que você deve ser você. A defesa de um individualismo onde ser diferente é fazer as mesmas coisas de todos que são “diferentes”. Assistir as mesmas séries, ler os mesmos livros, comer nos mesmos lugares, ter as mesmas profissões das pessoas “diferentes”. Seja igual sendo diferente. Esquizofrenia!
Este individualismo não é uma valorização da individualidade e sim um fomento a competição e a tentativa oportunista de enquadrar quem teve o lampejo de ousar ser quem de fato é.
Estes enquadramentos estão presentes nas campanhas publicitárias, nas novelas, nos jornais, nos programas de variedades…
Pode ser apenas uma impressão minha mas, sempre que assisto alguém que escolheu um modo autentico de levar sua vida ser apresentado em um programa muito popular, fico com a sensação de que o tom usado para falar desta pessoa é ‘permissivo e tolerante’ quase infantil:
– Olha! ele faz diferente! Mas você pode fazer diferente também, nós deixamos. Basta que você encontre um jeito igual de fazer diferente e iremos te mostrar como uma atração exótica.
A menos de 30 anos o mundo convive com uma nova maneira de se comunicar e pertencer. As redes sociais virtuais. Nelas podemos encontrar e nos relacionar com pessoas distantes geográfica ou temporalmente de nós. Encontros e reencontros acontecem através das plataformas digitais. Pessoas com afinidades em comum podem se aproximar virtualmente com uma facilidade e velocidade impensável até pouco tempo atrás. Uma revolução na comunicação e nas relações.
Nas redes virtuais podemos acompanhar o que acontece no mundo, na vida do outro e mostrar ao mundo o que ocorre com a nossa vida. Foi ampliada a sensação de notoriedade, a impressão de popularidade de cada um de nós.
Pelo menos é o que parece ou o que nós somos levados a acreditar, mas não é bem assim. Você pode ver o que acontece no mundo mas só pode mostrar o que passa com você ao seu limitado número de “seguidores”.
O termo “seguidor” adotados pelas plataformas virtuais é a prova da intenção de gerar uma sensação distorcida de notoriedade e importância. Aumentar nosso desejo de termos mais “seguidores” . Para atingir este objetivo devemos frequentar mais estes sites e publicar mais conteúdos que possam gerar interesse em outras pessoas, para que estes, então, venham a nos “seguir”. Que conteúdo é este?
Em recente pesquisa da Universidade da Califórnia, publicada no periódico Plus One, Publicações com teor positivo geram felicidade enquanto posts negativos geram sentimentos depressivos.
Já era sabido que o estado emocional de alguém pode influenciar o estado das pessoas ao redor, conhecidas ou desconhecidas. Mas os cientistas ainda não sabiam que isto se repetia nas redes sociais.
O efeito deste fenômeno pode induzir a quem “persegue” novos “seguidores” preferir postagens que desconsideram seu real estado emocional e que sejam mais atraentes, causando uma enorme dissociação entre o que se sente e o que se mostra.
Outro fenômeno espantoso é o controle total sobre a impressão a nosso respeito na comunidade virtual. mostramos o que queremos e como queremos. Criamos um mundo ideal, porém fantasioso. Fantasiamos sobre quem somos e como vivemos com um risco ínfimo de sermos desmascarados.
O filósofo dinamarquês Kierkeggard (1813-1855) acreditava que a impossibilidade de não sermos nada além do que realmente somos nos causa desespero (ou angústia): O desespero daquele que não quer ser (Kierkeggard 1849). Segundo ele, essa problemática existencial é inerente ao ser humano levando-nos a encararmos quem realmente somos e aceitarmos este ser, sendo este processo fundamental para o amadurecimento autêntico.
Usando as redes sociais virtuais escapamos deste conflito. Nos apropriamos de um personagem que é idealmente o que gostaríamos de ser. Por outro lado, passamos a conviver com o dilema interno de termos a consciência de nosso truque. Até o ponto em que, patologicamente, corremos o risco de perdermos esta consciência e ficarmos apenas com o personagem.
O conflito entre o que realmente se passa na vida da pessoa e o que ela posta para seus amigos ‘curtirem’ pode acarretar em grande pressão emocional. Uma tortura inconsciente entre a verdade e a mentira.
Por outro lado a mentira é popular. Estamos mais predispostos a ‘curtir’ fotos e status que mostram viagens, realizações, conquistas, celebrações sem o menor interesse em saber toda a complexidade de fatos e emoções que cercaram o objeto ‘curtido’.
Os aplicativos de troca de mensagem repercutem em nossas vidas de duas maneiras mais notáveis. A primeira é o aumento da urgência de responder e ser respondido. Ouvidos e olhos estão vidrados na tela dos smartphones ou computadores a espera de uma resposta ou estamos angustiados por ainda não ter respondido uma solicitação.
Outro impacto destes aplicativos são a possibilidade de controlarmos nossa reações diante dos diálogos estabelecidos. Em uma conversa presencial interagimos com todo o corpo. Nossas reações estão expostas nas expressões, gestos, entonações, posturas, no entanto através da troca virtual temos tempo para repensar nossas reações, podemos apagar, editar, escolher nossas palavras e assim impedir a exposição de nossa emoção inicial, terminando nossa frase com um Emoji.
David Leucas, psicólogo especializado em analise de expressões, afirma “vale lembrar que parte da maturidade emocional é atingida principalmente quando percebemos e interagimos com as emoções genuínas de outras pessoas, ou seja, quando escolhemos o canal de dispositivos tecnológicos para mediar a maior parte de nossas relações, acabamos por não nos relacionarmos intimamente com estas emoções e esta falta de prática causará prejuízos em nossa saúde emocional.”
E segue: “A comunicação via redes sociais não permite a visualização de grande parte da linguagem não verbal, o que empobrece a transmissão de emoções, e as características encontradas para compensar esta falta (como emojis) acabam por retirar a não permitir a expressão da individualidade. A possibilidade de SEMPRE escolher as emoções a serem expostas nos distancia do contato com nossas próprias emoções, e impede o aprofundamento saudável das relações.”
As redes sociais virtuais só se tornam um perigo para nossas emoções e identidade quando nós as usamos de modo a auxiliar a comunicação e nunca como substituta do contato pessoal e toda sua complexidade de trocas emocionais.
As implicações do uso das redes sociais virtuais em nossa emoções é tema recente que vem sendo amplamente estudado por vários setores da ciência, no entanto, são ainda raros os estudos destas repercussões no corpo.
Além das questões obvias de lesões por esforço repetitivo ou complicações posturais pelo uso exagerado dos dispositivos pouco se sabe sobre os desdobramentos corporais que sofrem influência das redes sociais virtuais.
Sabemos das consequências orgânicas de uma série de emoções negativas e a dificuldade de expressá-las. Sabemos também que a dissociação entre sentir, pensar e agir nos trás desequilíbrios que nos adoecem e isso é igual quando olhamos para as redes.
O que ainda não sabemos é como o uso das redes sociais virtuais afetará nosso corpo na sua capacidade de se expressar. O que mudará ou já mudou nos nossos gestos, expressões e posturas?
Vislumbrando um futuro mais distante, será que teremos mais dificuldade de olharmos diretamente pra alguém?
Nossa expressões ensaiadas (culturais) substituíram a espontaneidade?
Nossa capacidade de identificar um sentimento pessoal, genuíno, será mais confusa?
Sofreremos ao mesmo tempo de um embotamento da capacidade empática e menor compromisso com a realidade?
Talvez a resposta mais satisfatória para essas perguntas se encontre no equilíbrio e bom-senso do uso destas novas tecnologias além de um profundo e honesto mergulho em nossas relações e valores éticos.
Muito do que conversamos aqui é abordado em nosso curso, onde ampliamos nosso olhar sobre as emoções e o corpo e uma forma de integra-los através do Shiatsu Emocional
https://www.eventbrite.com.br/e/curso-formativo-em-shiatsu-e-shiatsu-emocional-escola-de-shiatsu-shiem-tickets-55116606253

 

Texto elaborado para a realização da Roda de Conversa ‘O corpo, as emoções e as redes sociais’ em 06 de Maio de 2019 no Grupo Pela Vidda – Niterói.

Hirã Salsa – Terapeuta Corporal – 21 99830-5858 – hirasalsa@gmail.com.

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Um Shiatsu para cada pessoa ou um motivo para fazer o Curso Formativo de Shiatsu/Shiatsu Emocional da SHIEM

Somos mais de sete bilhões de pessoas, um mundo de diversidade. Temos identidade única, formada por elementos particulares a nossa história, cultura e meio ambiente.

Diante desta grandiosidade, como tratar a todos da mesma forma?

Basta contentar-se com uma lista de sintomas e protocolos formais, despersonalizados?

Apesar de iguais na quantidade e funcionamento de ossos, músculos, órgãos e sistemas, reagimos diferentemente aos mesmos eventos. Nos relacionamos com o outro e com o meio de modo particular, considerando nossas experiências e modelos.

Desenvolvemos nossos potenciais de forma singular, influenciados pelo ambiente, família e cultura onde fomos criados. Alguns apresentam mais criatividade, outros mais vitalidade ou uma sensibilidade maior para a espiritualidade, conforme as condições do nosso desenvolvimento, desde a primeira infância.

Respeitar esta multiplicidade é imprescindível para a conduta terapêutica, apoiando o outro na busca de resultados positivos no caminho para um estilo de vida mais saudável e integrado, contribuindo para a diminuição dos conflitos, favorecendo a expressão e a afirmação dos potenciais, talentos e aptidões, para a realização do desejo, que norteia a existência.

Desta forma, a Escola de Shiatsu SHIEM leva em conta a diversidade dos nossos alunos, incentivando cada um a criar e desenvolver seu próprio modo de fazer Shiatsu incluindo seus saberes e sensibilidade, suas histórias e vivências, sua identidade. Acreditamos na capacidade adaptativa do ser humano às variadas formas de existir.

O Curso Formativo de Shiatsu e Shiatsu Emocional tem fundamento teórico e histórico, além de atividades práticas que orientam os alunos a realizar uma sessão de shiatsu eficaz e segura, tanto para quem recebe quanto para quem aplica, tornando assim uma prática onde o eu e o outro criam uma relação mútua, totêmica.

Espero ter despertado o teu interesse em nosso curso. Se quiser continuar se informando a respeito da nossa próxima turma clique no link abaixo.

https://www.facebook.com/events/412656669473582/

Shiatsu e Sociedade

Texto escrito por mim em ocasião do I Congresso On-line Internacional de Shiatsu em Outubro de 2017.
“Eu acredito é na rapaziada
Que segue em frente e segura o rojão
Eu ponho fé é na fé da moçada
Que não foge da fera, enfrenta o leão
Eu vou à luta com essa juventude
Que não corre da raia a troco de nada
Eu vou no bloco dessa mocidade
Que não tá na saudade e constrói
A manhã desejada”

Gonzaguinha

Ao longo da história moderna, alimentamos uma cultura onde as relações carecem de presença e cuidado.

Estamos muito ocupados em sustentar a casa, pagar as contas, sobreviver.. Ou ainda, estamos imbuídos do dever de aumentar o patrimônio, ganhar mais, ser promovido, subir de posição social, manter o status, manter a forma, mudar o corpo.

O preconceito está enraizado na maioria de nossos costumes de tal forma que permitimos nos limitar com naturalidade, idosos não se beijam em público, homens cumprimentam-se com tapinhas, mulheres e homens competem entre si, sacrificam-se e se frustram na busca de um modelo estético cruel.

O mandato cultural de nossos dias é contraditório. Ilude, valorizando a especialização que acaba por aumentar a dependência em muitos setores da vida cotidiana. A simples tarefa de trocar uma lâmpada pode virar um transtorno para o cidadão contemporâneo! Exalta o individualismo que nos torna ainda mais solitários. Estamos dependentes e sozinhos!

Em uma recente campanha publicitária de um aplicativo de entrega de comida o slogan final era: ” E você nem precisa falar com ninguém”

É desesperador como estas mensagens de isolamento são repetidas e sutilmente vão influenciando nosso comportamento.

A ditadura medicamentosa, imposta pelos grandes laboratórios farmacêuticos, utiliza métodos mirabolantes para sonegar conhecimento, controlar patentes, formar monopólios, corromper autoridades, desacreditar conhecimentos ancestrais e populares de tratamento, incentivar a cultura do alívio fácil e imediato esvaziando as iniciativas de cuidado da pessoa comum, tornando-a dependente de suas marcas e rótulos.

Assista o comercial deste analgésico e verifique a habilidade com que se conduz a não sentir nada, de um jeito mágico, atraente e até legal:

https://www.youtube.com/watch?v=EJ9jUQxMd_Q  

O sucateamento  da saúde pública promovida por um Estado dominado pelas oligarquias industriais e conglomerados financeiros, a desumanização dos serviços de saúde, a dificuldade de acesso à informações elementares sobre o corpo, seu funcionamento e saúde causado pelo esvaziamento do currículo escolar, entre tantos outros fatores, retira da população a capacidade de cuidar-se.

O que perdemos com isso, além da nossa independência e autonomia?

Em todas as classes sociais o toque tornou-se raro!

O contato reveste-se de formalismo, perde a espontaneidade e frequência, distanciando as pessoas, adoecendo cada vez mais o ser humano.

Sem contato estamos fadados a extinção!

Precisamos mais do contato e do acolhimento do que da nutrição! O contato e o acolhimento é condição para o desenvolvimento do indivíduo saudável além de ser um sinalizador seguro de continuidade da espécie.

Na ausência do contato desenvolvemos as mais complexas desordens orgânicas e emocionais tornando-nos incapazes de estabelecer relações, exercer empatia e solidariedade, jamais receber e dar afeto.

O vídeo abaixo mostra uma experiência com filhotes de macacos isolados da mãe e os efeitos desta separação.

https://www.youtube.com/watch?v=qjiioOmWnqg&t=247s

A presença de um referencial cuidador, comum a nós, dentro de casa, entre nossos familiares ou mesmo na nossa comunidade como nossos vizinhos, está desaparecido. Cada vez é mais raro personagens como o médico da família, a curandeira que conhecia as ervas e as rezas, o farmacêutico que manipulava pomadas e unguentos fitoterápicos  

O Shiatsu pode ocupar um papel transformador nas relações humanas. Um resgate do toque intencional e curativo, que leva alívio ao outro e o restabelecimento do equilíbrio dinâmico energético, atuando na prevenção da saúde e servindo como opção terapêutica para muitos distúrbios músculo-esqueléticos, orgânicos e emocionais. Restituir a capacidade da família tratar dos seus integrantes a partir do conhecimento da técnica devolve independência e resgata o convívio positivo de cuidado e acolhimento.

Como é uma técnica manual de tratamento não envolve custo maior que a disponibilidade. Seu aprendizado, para um Shiatsu “básico” e eficiente, é simples e de fácil assimilação. As exigências físicas e motoras são mínimas. ampliando em muito o número de pessoas que podem praticar o Shiatsu. Mais que isso, a prática regular e bem ensinada, observando a ergonomia, o ritmo e a dinâmica de deslocamento no tempo-espaço traz benefícios para ambas as partes, melhorando a condição física, aumentando o tônus muscular, ampliando a capacidade respiratória, a concentração e a permanência no momento presente, no aqui-agora, diminuindo a ansiedade e a angústia. É uma troca intensa de benesses, entrega e confiança. É comunhão!

A popularização do Shiatsu é, por todos os motivos, uma tarefa de cada um que utiliza a técnica.

Promover acesso, iniciando o maior número de pessoas. Despertando nelas a curiosidade enquanto sentem os efeitos positivos, municiando de informações a respeito do que se está aplicando e acontecendo durante as sessões. Ensinando enquanto atua.  

Encampando projetos que promovam cursos gratuitos às populações com menor poder econômico. É nesta camada da sociedade que está a urgência de adquirir meios de cuidados acessíveis, que não envolvam dificuldades materiais e culturais, que não dependam da aquisição de um conhecimento complexo e limitado a uma formação escolar de excelência.

Enquanto um lado da sociedade carece de estrutura básica, outro lado, por sua vez, carece de opção fora dos consultórios médicos alopáticos para diminuir suas dores. O Shiatsu é desconhecido de grande parte da população.

Divulgar experiências, relatos de melhoras, empenhar pesquisas sobre efeitos e benefícios, buscar apoio no meio acadêmico são ações de suporte para que o Shiatsu venha beneficiar um contingente maior de adeptos.

Outra busca é conquistar, por êxito do Shiatsu, um público de alto poder econômico, capaz de tornarem-se patrocinadores de projetos sociais de atendimento e ensino. Trazer evidência à técnica angariando formadores de opinião, com forte poder de penetração pública e exposição midiática.

Mostrar que o Shiatsu não é apenas uma técnica terapêutica mas que propõe um estilo de vida de integração do ser humano, que tem uma cultura rica, estilos variados e uma história fascinante é um caminho para atrair interesse em faixas diferentes de classe social e de idade.

A juventude é, potencialmente, o público mais importante para a perpetuação do Shiatsu. O óbvio está na própria juventude. Iniciando cedo, por mais tempo teremos um praticante. Menos óbvio mas, talvez mais importante, é a busca desta geração em experimentar outros caminhos profissionais, que concilie bem estar, satisfação pessoal e contribuição com o meio, com a espécie humana, sua preservação e equilíbrio.

A Associação Brasileira de Shiatsu – ABRASHI, dedicada ao desenvolvimento e a difusão do Shiatsu no Brasil, é uma organização sem fins lucrativos,  destinada a todos os praticantes (profissionais ou amadores) e entusiastas do Shiatsu, está investida do propósito de popularizar o Shiatsu realizando, de forma corajosa por não contar com investimentos, ações de divulgação como o Shiatsu na Praça, onde pessoas recebem uma sessão de Shiatsu  gratuitamente e podem receber também mais informações a respeito, elaborando ações sociais inovadoras como o Shiatsu na segurança pública, nos hospitais, em comunidades carentes e lugares remotos.

Agora convido você a olhar pro futuro.

Sabendo da importância do toque intencional, cuidadoso e acolhedor. Sabendo que o Shiatsu  agrega a este toque, todo poder de estabelecer um fluxo energético pulsante e dinâmico, indispensável para uma vida mais plena e integrada, onde seremos capazes de agir em coerência com nossos sentimentos,  seguindo a lei natural de preservar e gerar a vida, ouvindo os instintos, responda:

Como será a vida em um futuro repleto de praticantes do Shiatsu?

Em um futuro onde o Shiatsu for de amplo conhecimento, ensinado nas escolas desde os primeiros anos, praticado em nossas casas, Qual será patamar de saúde que experimentaremos?

Quando este conhecimento e seus efeitos fizerem parte da herança genética e cultural das futuras gerações, que tipo de ser humano habitará nosso planeta?

De tantas respostas empolgantes e animadoras uma eu já sei:

Vai ser muito melhor!

Não é nada fácil levar uma vida saudável.

Não é nada fácil levar uma vida saudável.
O mais difícil de uma proposta de vida baseada na saúde e na sua promoção, na facilitação de seu desenvolvimento não é a mudança de hábitos alimentares ou de repouso ou de qualquer outro rotineiro ato de cuidado pessoal. Mas a todo tempo pensar e sentir como se fosse o outro e agir pelo bem estar do outro.
Um outro qualquer, o outro próximo de mim ou aquele mais distante, que será influenciado pela minha escolha sobre as mais diversas ações. O uso da água, o descarte do lixo, com o que gastamos dinheiro, como tratamos filhos e pais…
Não vamos salvar o mundo. Não é uma questão se vamos conseguir proteger a Natureza. A Natureza sabe se proteger.
Basta um furacão, uma enchente ou seca, terremoto ou tsunami para levar mais vidas humanas do que a de outros animais.
Só temos a oportunidade de preservar nossa especie. É pensando no outro que preservaremos o ambiente, que buscaremos melhores matrizes energéticas ou escolheremos políticos mais comprometidos com a nossa preservação.
Quando livramos um primata, uma ave ou planta da extinção estamos primeiro livrando o homem de ser extinto. Uma erva que suma e podemos ficar sem um poderoso remédio. Um rio coberto de lama não trará alimento.
Se os pais escolhem realizar massagens afetivas em seus bebes eles preservam e formam seres mais sensíveis e capazes à favorecer a vida. A escola que estimula a expressão do talento nato forma trabalhadores que praticam suas profissões com alegria e ganham seu dinheiro com prazer. Ninguém mais precisaria participar de dinâmicas de motivação realizadas pelos setores de recursos humanos das empresas.
Não furamos a fila hoje para que nosso neto não roube, não subornamos ninguém ou sonegamos para que o nossos governantes não nos surrupiem os bens e serviços e as nossas esperanças.
Passamos a frente a sabedoria dos nosso ancestrais para nos tornarmos mais independentes e mais capazes de nos ajudarmos. Protegemos o outro para que ele nos continue.

Hoje é o meu aniversário e o presente é a vida!

Hoje é meu aniversário e eu escrevo pra celebrar a vida com todos!

Todo mundo sabe, a vida é feita de ciclos de intermináveis tamanho e duração. Ciclos nas células e nas eras do tempo.

Todo mundo sabe porque todo mundo sente. Eu , um físico, uma executiva, um primitivo do canto do mundo sente. Todo ser vivo sente. Até mineral tem ciclos. Areia, pedra, montanha, montanha, pedra, areia …

Sinto mais um ciclo chegando e outro indo, como tem que ser. Acolhido por mim com afeto e gratidão por todos os lados, sinto um ciclo inédito chegando, escolhas novas que surgiram da vivência de outros ciclos novos.

O ciclo de hoje marca 46 anos de vida e com estes anos  tem a chegada de novos e a presença de antigos amigos que a cada ano são mais amigos. Marca novos aprendizados e experiências, marca novas decisões e novos resultados.

A vida no centro da minha atenção! É isso que o ciclo 46 traz pra mim.

Vivi por muito tempo com a atenção em outras coisas que acreditava ser vida, coisas bem conhecida por todos, valores bem difundidos e instalados em todos nós por gerações. Descobri também que tanto tempo com a atenção em outras coisas e em outros valores, cria condicionamentos, marcas, repetições… Então estou descobrindo também a paciência e generosidade comigo.

Escolher dar atenção a vida também passa por reconhecer que vida é essa. Reconhecer sim, porque sabemos como ela é, só esquecemos. Está gravada na menor parte de mim até no meu mais antigo ancestral, está nos instintos.

A vida é integral e vou tentar relembrar como é.

O que eu como e bebo se transforma em mim, então me transforma. Como me relaciono com pessoas, coisas, dinheiro, com o descanso, com o trabalho, com meus talentos. Tudo isso se transforma em mim, então me transforma.

Atento ao que importa pra vida gerar mais vida , eu deixo de cair em pequenas e grandes armadilhas, produzidas por mim e por nossa civilização. O que é também um alento, não sou o único que não lembra de como é, somos muitos.

No supermercado tem farinha branca enriquecida e tem farinha integral. pra quê que eu vou consumir a enriquecida se a outra é integral. Tem tudo! Não precisou ser enriquecida com nada!

Frango, nenhum recebe hormônio na sua ração, a Anvisa proíbe mas permite muito antibiótico e anti-inflamatório, está na carne dele, está no ovo. Não quero, obrigado. Quando o franguinho come comida de frango ele é integral, aí eu como ele.

Açúcar refinado. Se refinou é por que tirou coisa de dentro do açúcar, tem açúcar sem refino, tem mel, tem fruta a beça. A vida é doce.

Leite, todo leite que eu tinha que tomar eu já tomei no peito da minha mãe. Manteiga, coalhada e queijos são outra história, nossa habilidade em descobrir e aprender nos deu muitos presentes.

Conservantes e corantes industriais, o homem descobriu o vinagre, a gordura, o mel, cultiva o tomate, o urucum, o açafrão e já inventou a geladeira.

Tem uma variedade imensa de alimentos, a vida é abundante.

Entorpecentes, estimulantes, relaxantes. Tudo que eles provocam de efeito bom, produzimos dentro da gente. Todos são feitos de substâncias parecidas com as que meu corpo produz naturalmente. Se não fosse assim, estas substancias não fariam efeito. É preciso reconhecer as sensações pra sentir o efeito. Se estão dentro de mim podem ser evocadas naturalmente . A vida integral dá onda!

A parte que faz mal dessas substancias parecidas com as que meu corpo produz não me interessa, a parte boa eu faço dentro de mim e na versão original. Não, obrigado, não quero as de fora.

Ouvir os instintos, as sensações do corpo, os sentimentos é um aprendizado de todo dia. Se só de pensar numa coisa, pessoa, ou atitude me der dor de barriga, atenção! Tem alarme tocando.

Ganho meu dinheiro fazendo o que meus talentos convocam a fazer, ganho dinheiro com alegria e gratidão.

O homem que alimentou o frango com comida de frango precisa vender o frango, compro dele e meu dinheiro tem um destino melhor.

Eu não tenho carro e por isso não preciso receber a propaganda de preço de auto peças mas o outro que está distribuindo propaganda precisa me entregar papel pra receber dinheiro. Vamos lá! mais um papelzinho no lixo, mais dinheiro circulando, mais vínculo com o outro. Conheço gente que quando usa um banheiro público, dá um jeitinho, uma limpezinha no banheiro pro outro! É muito vínculo afetivo com todos, É indiferente quem seja o outro.

Em casa e em todo lugar, com o meu próximo mais próximo ou com um desconhecido, se movo ações de vínculo afetivo a vida pulsa afeto de volta pra mim, por meio dos meu filhos, mulher, mãe, irmão, amigos e claro, dos desconhecidos

Dos meus ancestrais escolho guardar o que me melhora e transformar o que não escolhi guardar.

Todo dia aprendo também que só dá certo se eu fizer o que eu quero e o que eu quero é uma vida cheia de vida. Não aceitar nada anti vida e ao invés de reclamar, providenciar mudança em tudo o tempo todo.

Não é receita, não é só um modelo. É viver sabendo disso e podendo escolher no que quer se transformar.

A vida acontece o tempo todo então a minha atenção com a vida neste novo ciclo é igual a de um cachorro atras do rato, as vezes avança, as vezes descança, mas mantem a meta e está de olho em tudo que o cerca.

Hoje o dia ainda me reserva mais troca de carinho, mais comemorações, mais celebração porque é meu aniversário.

Saúde a todos e gratidão por tudo!

O que é Shiatsu Emocional, como é uma sessão de Shiatsu Emocional e porque eu sou terapeuta corporal.

Se você acompanha o meu blog, pôde ler como eu encontrei o Shiatsu Emocional e as terapias corporais, neste novo artigo mostro uma síntese do que é o Shiatsu e sua vertente emocional, compartilho também os motivos que me mantém como terapeuta corporal.

O Shiatsu é uma terapia corporal de origem japonesa, fortemente influenciada pela cultura terapêutica da China e de todo oriente.

A prática do shiatsu consiste em pressionar circuitos energéticos espalhados por todo corpo, estes circuitos são mais conhecidos como meridianos. Através destas pressões o Shiatsu promove uma circulação livre dessa energia resultando num corpo mais integrado e saudável.

Indicado para diversos males, desde dificuldades músculo-articulares até questões sistêmicas, o Shiatsu tem como principio e fim promover a saúde e exaltar a vida.

Shiatsu Emocional é um método terapêutico, criado a mais de 10 anos por Arnaldo V. Carvalho. Com um olhar novo sobre as teorias e práticas energéticas, utiliza ferramentas diferenciadas de diagnostico e tratamento. Integra relaxamento, meditação, experimentações dos sentidos, alongamentos, exercícios e outras técnicas associadas aos principais estilos de Shiatsu, além de técnicas de massagem psicossomática inspirada por Wilhem Reich. Propõe uma revisão da conduta terapêutica e a relação terapeuta-cliente.

Uma sessão de Shiatsu emocional convida para o olhar silencioso, para a fala sentida, para a observação das sensações do corpo e dos seis sentidos. Imagens, lembranças e emoções podem emergir durante uma sessão, dando expressão ao inconsciente. O objetivo maior é equilibrar as emoções e as energias, resgatar a essência, compreender a origem de tudo a partir do equilíbrio dinâmico da vida.

Em uma frase posso dizer que a dança da vida é o equilíbrio dinâmico. O equilíbrio dinâmico é a arte do encontro. O shiatsu é o encontro com a vida!

Trilhar o caminho de terapeuta é cheio de recompensas. Estimular, acompanhar, apoiar, e promover alívio, superação e iniciativas de transformação em direção a um estilo de vida mais equilibrado é fascinante. A vitória do meu cliente é a minha vitória, suas conquistas são recebidas com meu mais sincero entusiasmo.

Seja no corpo, na alma ou nas emoções, cada etapa vencida, cada limite estendido, cada passo conquistado é retribuição ao nosso caminhar, ao nosso relacionamento enquanto terapeuta-cliente e enquanto seres irmãos.

Me manter terapeuta exige que eu me transforme constantemente em direção a um viver mais consciente, no aqui-agora, diminuindo preconceitos e julgamentos, melhorando sempre, meu olhar sobre o homem e o meu existir.

O outro é meu melhor espelho!

Eu, o Shiatsu e uma breve história desse encontro.

Venho do subúrbio carioca, Benfica, pertinho do  bairro do Cajú. Lá passei a maior parte da minha infância e adolescência. Meus pais ganharam longos fios de cabelos brancos quando descobri os telhados da vizinhança e as rodas da minha bicicleta.
No entanto, meu pai era um sujeito calmo e pra cada contusão ou confusão que eu arrumava ele trazia as massagens curativas aprendidas no seu tempo de atleta de jiu-jitsu, esse foi nosso contato corporal mais afetivo e que empregaria uma marca indelével na minha alma.
Mudei pra São Paulo aos 18 anos, conheci o movimento estudantil, a militância partidária, novas habilidades e sensações, os namoros e paixões.
Voltei pro Rio aos 23 e aos 25 fui pai pela primeira vez, fato que me lançou na vida adulta e na necessidade de trabalho regular. Depois de ocupações variadas, lavador de louça, pintor de parede, vendedor de sanduíches e mais algumas, acabei me tornando sommelier, profissão que atuei por 15 anos com exito destacado no cenário nacional, duas especializações internacionais e alguns prêmios.
A essa altura já era pai de duas lindas meninas e a impressão de que a vida estável havia chegado, que só mudanças previsíveis chegariam.
Pois é, ledo engano!
Um estilo de vida sem saúde, o fim de um relacionamento de 15 anos, um isolamento auto destrutivo se sucederam, num período ruim que não resta muito a dizer a não ser que aprendi ali também.
Depois da tempestade, sempre haverá o raiar de um novo dia e comigo foi igual. Além dos meus esforços recebi apoio valioso de muitas pessoas em muitas direções.
Reorganiza a vida daqui, ajeita o coração dali e vamos em frente buscar um novo jeito de viver, uma nova carreira, novos caminhos.
Num lampejo de boas recordações me encontro com meu pai aplacando qualquer mal com suas massagens afetivas, me dando pistas do meu verdadeiro talento. Tocado por esta inspiração poderosa e comovente fui cursar o técnico em massoterapia do Senac e senti a paz de estar no lugar certo.
Depois disso o encontro natural, espontâneo com o shiatsu emocional estava marcado. Uma palestra com seu criador, Arnaldo V. Carvalho, num domingo de maio suscitou muita curiosidade e a certeza de que eu completaria a busca por uma nova forma de atuar na vida.
Cursos de formação e aperfeiçoamento na Shiem – Escola de Shiatsu se sucederam e hoje ocupo o lugar de professor nesta escola e atuo como terapeuta corporal, integrando o shiatsu emocional à outras técnicas aprendidas neste trajeto.
Escolhi o caminho que meu coração apontava e me sinto pleno de gratidão, orgulhoso da atitude de coragem que tive em apostar na vida e pronto pra receber os novos desafios que virão.
Saúdo a vida e convido a todos a experimentar o encontro fértil e transformador que está nos aguardando… dentro de nós.